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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

O desprezo que nutria



O desprezo que nutria por tudo que fosse literatura era tão profundo, que nunca esvaziou a caixa própria para a publicidade, implantada no exterior do condomínio. Sequer quando foi nomeado administrador!

                                                                                                                26 -9 2016

Dedos do Tejo







segunda-feira, 22 de agosto de 2016

O amor despede-se à janela




O amor despede-se à janela com um beijo soprado  a partir da palma da mão! Porém, o destinatário não consegue segurá-lo, nem evitar que se desfaça no piso da rua como uma grossa gota de água. 

Então, pensa para si: “ Com esta falta de reflexos, acabo por deitar tudo a perder!”. Porém, uns passos adiante, crê ter encontrado a chave para a saída airosa:

“ Só uma boneca pode salvar a situação!”

Ora, em acabando o dia de trabalho, logo se pôs a correr até à loja especializada em bonecas de pano, louça e plástico para todos os gostos…

Mas ao cabo de uma hora, para além de se mostrar ainda vacilante quanto à escolha certa da boneca, escorria suor em bica, o coração parecia saltar-lhe do peito e aquelas tonturas só podiam ser da tensão arterial….
Face a estes sintomas, o  recomendável - ponderou - seria abandonar em definitivo a ideia de prendar o seu amor com uma doll.

E assim fez. Recuando até à porta da loja, com sucessivas vénias e um sorriso à mordomo para a rapariga que pacientemente o atendera, lá se esgueirou, de mãos vazias,  pelo passeio fora…

Depois, em chegando ao prédio que habitava, trepou pelas escadas até ao terceiro andar, onde procurou abrir a porta do apartamento o mais silenciosamente possível. 

E foi então que, atónito, deu com o interior sem nada, salvo o quarto de dormir onde se atulhavam dunas de bonecas, que havia ofertado ao amor desde há duas décadas atrás.

Pouco mais ou menos!


segunda-feira, 15 de agosto de 2016

A mosca ao passear-se



A mosca ao passear-se no teclado, acaba por fazer stop no delete. Mas não me apresso a correr com ela. Apenas quando levanta voo, é que apago as minhas impressões digitais...

E só depois me ponho a contar as estrelas de poeira no céu noturno do monitor desligado!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O peixe já o conhecia


O peixe já o conhecia, e aquele saracotear-se não era mais do que a súplica por um pedaço de pão.

Mas a concha exposta na vitrina, abrindo tremulamente as suas valvas, sempre que o via na sala de malacologia, deixava-o  surpreso.


De modo que acabou por a levar para o sotão de sua casa, depois de alojada furtivamente numa caixa de papelão.

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