terça-feira, 25 de setembro de 2012

domingo, 16 de setembro de 2012

Alcatejo


Cais das Colunas





Certo amigo olhou para o negativo e grunhiu não sei o quê. Depois fez uma série de coisas como: ligar o ampliador, verter os líquidos nas tinas, apagar as luzes,  e fechar todas as portas e janelas da casa, por sinal, integrada num bairro até aí nunca assaltado.

Ao cabo de um tempo sem tempo, a tina situada mais próxima da torneira da casa de banho, ficou repleta de tiras de papel plastificado e brilhante, as chamadas provas de leitura, que serviriam de base á produção de uma cópia fotográfica, finalmente pronta a meio da madrugada.  

Então, com um formato 36X24, logo ocorreu ao amigo expô-la numa das paredes da casa de banho, precisamente a frontal, para quem empurra a porta, ao entrar nela.

Uma foto, quimicamente tratada à unha e às escuras ou tão só debilmente iluminada por uma luz rouje, insinuantemente sexy, mais apropriada a ambientes duvidosos como bares de putas do que a um laboratório caseiro de fotografia, ocupando parcialmente o wall de entrada.

Um último pormenor: nunca percebi por que a dita imagem haveria de permanecer durante cerca de duas semanas naquela parede de azulejos com um padrão floral tão foleiro; e porque haveria ainda de ser regada com o chuveiro, não sei quantas vezes ao dia, que nem uma planta exótica do mais esplendoroso jardim.

Mas também ninguém pode esperar encontrar explicação para tudo….

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Cerimónia religiosa




Foi cão, camelo, cabeça de touro; tromba de elefante, baleia, águia e muito mais.... De animal em animal, doméstico ou selvagem, completo ou parcial,  a nuvem foi-se fazendo e refazendo, lá no alto, tocada pela ligeira deslocação de ar.

E assim continuou durante  largo tempo, configurando-se ora num ser alado, ora aquático, ora terrestre até, por fim, uma velha, com um farto bigode,  me convidar a partilhar  o êxtase suscitado pela visão daquela nuvem:

a de uma  senhora pairando no céu, à beira Tejo. Tal e qual como a de Fátima!




segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Ponta da Erva ( 2000 )






E o repetido pesadelo mantinha-se mesmo depois de se levantar da cama.

Assim,  por dias a fio, a casa haveria de balancear-se como uma embarcação desgovernada e o próprio chão, a cada passo, parecia prestes a abrir-se numa cratera.

Mas para agravar mais ainda tais tormentosos tempos, foi o inesperado surgimento de uma nova ameaça:

a de uma gaivota, redemoinhado afoitamente sobre a sua cabeça e como que prestes a rapinar-lhe os olhos…

Sim! Nunca como aquela última e prolongada seca, o havia levado ao estado de uma tão profunda embriaguez!




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