sábado, 19 de julho de 2014

segunda-feira, 7 de julho de 2014






Olho para o chevrolet


lustroso e preto


sem data na chapa


de matrícula






Os dois faróis


quase humanos


que me fixam


da cabeça aos pés





Os cromados sem poeira


ou poros corrosivos


que brilham quais


puros cristais





E rodo à sua volta


como quem ensaia


uns passos de valsa


colado a uma mulher





Até que estaco diante


do meu retrato


emoldurado no retrovisor


sem sais de prata





a rir, por me ver apeado,


sem parecença alguma


com o Álvaro ao volante


do chevrolet emprestado






quinta-feira, 19 de junho de 2014


Antevendo que beberia um café, ofereceu-lhe um. Ao agradecimento, acrescentou: " Hoje só digo obrigado às pessoas!" Pouco depois, levantou-se sem ruído, talvez para se fazer ouvir: " Soube-me muito bem!" 

terça-feira, 17 de junho de 2014


Por mais que olhasse em volta , não conseguia localizar a proveniência daquele cheiro, ainda mais nauseabundo que o do óleo de fígado de bacalhau. A certa altura, chegou mesmo a admitir que aquele odor não passasse, afinal, de pura imaginação sua. A explicação, porém, não haveria de tardar, ao lembrar-se do frasco de perfume ofertado pela Adélia e que ele enfiara num bolso. Pelos vistos, desarrolhado!



sexta-feira, 6 de junho de 2014



Ninguém como o comandante para pôr em causa a cena do “ mostrengo que está no fim do mar” e que numa “ noite de breu ergueu-se a voar”.

Ora, também ele tinha experimentado aquela alucinação. Exatamente ao partilhar uma garrafa de gim com Nikita, uma velha amiga. 

quinta-feira, 5 de junho de 2014



Procuro a mesa central para nada me escapar. Mas ao cabo de uma hora, a expectativa desfaz-se, acabando por abandonar a esplanada como a encontrei: plenamente vazia!

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