domingo, 31 de julho de 2016

A 180 à hora













A 180 à hora, com a rapariga  da capa de uma revista, a sorrir-lhe a cores e em papel brilhante... 

Como se fosse o único passageiro dentro da carruagem!

sexta-feira, 29 de julho de 2016

A propósito da escultura




A propósito da escultura implantada à borda de água, representando um pescador fixando o céu, observava  Manuel do Vale:
“Olhe, é como eu na altura em que punha  a cabeça fora da janela, procurando saber o tempo que fazia lá em cima!"
Pois como havia de prever os resultados da pescaria sem olhar para o número, forma, altura  e  cor das nuvens?

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Azul


Tirou os espessos óculos escuros



Tirou os espessos óculos escuros para mostrar quanto eram azuis os seus olhos, e  perguntar-me: " Como hei de passar um só dia sem ver o mar?"
























Ele: encontrei uma ilha!


Ele :"Encontrei uma ilha!". Ela: "E eu, um caracol !" 
Daí à maçã colhida no jardim do Éden foi menos do que um passo.





                 

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Ainda meio agoniado







Ainda meio agoniado, com um pesadelo que o assaltara durante a noite, decidiu fazer a mala e apontar para a Costa Vicentina, em demanda do aluguer de uma casa implantada à beira mar. 


De preferência, numa falésia, plana e nua, para desentupir as narinas com o sopro atlântico e o cheiro a maresia, que se tornava sempre mais intenso quando os mariscadores andavam à cata de percebes.


Desde que isolada, qualquer casa lhe servia. Mesmo a que acabara de se instalar, com as paredes do quarto denotando uma exacerbada paixão pelo Benfica e por Jesus, simbolicamente representados nos quadros pendurados na parede.  Em vez de uma mamalhuda como a Monroe, a Loren ou a Bardot, lamentou o Comandante, que é inteiramente ateu.


“Mas vendo bem -  prosseguiu -  a minha preocupação são as melgas; faltar-me as pedras de gelo ou a água tónica para o Gim e a luz elétrica para as mil vezes repetidas leituras de uma história do Tim Tim, à hora de me deitar”


E tudo correu a preceito até à terceira noite, altura em que começou a ouvir um passarinhar, que tanto podia vir de dentro como de fora da cabeça.



Homem de tirar tudo a limpo, na dúvida, levantou-se e, a passo de pantera cor de rosa, acabou por alcançar a cozinha. Aí,  para grande espanto, deu de caras com o focinho de uma corpulenta ratazana, fincada  nas patas posteriores e cauda, como que prestes a soerguer-se, e arremeter contra ele. Até á altura dos joelhos, das virilhas ou dos olhos?


“Cobarde merdenta! ” exclamou o Comandante, de forma mais inaudível possível, receoso de que a propagação das palavras pudesse provocar algum desmoronamento da falésia!


E, enquanto abandonava a cozinha e se escapulia pela porta da rua, não deixava de ruminar alguns pensamentos sem saída: “ Áh, tivesse eu uma funda! Ou um arpão! Uma caçadeira, e varria o problema”


O supermercado da vila para onde se dirigiu, em seguida, ficava a dois passos, e satisfazia os seus propósitos de  adquirir uma porção de queijos mais diversos: nacionais e estrangeiros; magros e gordos, de cabra, vaca e ovelha; inteiros ou fatiados; apimentados, salgados, mal cheirosos…


Queijos que, mal regressando à casa alugada, logo haveria de os distribuir, quer pelo soalho, quer pelos móveis de todas as dependências, sem dispensar o bidé no qual depositou o tão familiar e nacional limiano!


Só ao mole e um pouco picante normando Camembert é que o Comandante não resistiu em levá-lo consigo. Sabe-se lá para onde!...








quarta-feira, 13 de julho de 2016

Ó pelos eriçados

                                                        
Ó pelos eriçados
Unhas, garras
Dentes afiados

Patas, pulos
Tímpanos, olfatos
Corridas, fugas...

Onde faltam latidos 
Rareiam ameaças                                
E sobram ratazanas!                                  

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