quinta-feira, 29 de maio de 2014


Sentam-se. São quatro. Lêem em voz alta as mensagens recebidas por  telelé para que não escape uma sílaba. Então, desligo os tímpanos! Sim, porque o que me entretinha era a audição de uma história divertida ou dramática, que sacudisse para longe esta sensação momentânea de vazio. Mas nada! A conversa é ruído. Irrita.

E é assim que dou pela presença do cato, a que abusivamente chamo meu, a cerca de três passos de mim, assente à borda do passeio. Fixo-o, e as suas raras flores vermelhas, quais girassóis perseguindo a luz, voltam-se para mim. Não tenho dúvidas: sabem que estou a pensar nelas. 

Então, saúdo-as com um olá deixado sem resposta. Paciência! Mesmo correndo o risco de passar por louco, o melhor, é acenar-lhes como quando se cumprimenta um amigo apressado... Talvez, nesta altura, as flores do cato tenham aberto ainda mais um pouco as suas pétalas...

Entretanto, a conversa entre os jovens sobe de tom. Discutem pais e professores. Mais adiante, as estrelas que vão brilhar  no Rock in Rio. 

Que pena sinto, então, em não poder curtir os Rolling Stones! Saio a correr, intoxicado com cigarros a mais, e na dúvida de ter recebido o troco.








quarta-feira, 28 de maio de 2014



O trabalho que dava ao estômago para digerir as suas ideias!


Cada vez mais se metia dentro da panela. Mas o pior era sequer levantar o testo para espreitar o tempo que fazia. Triste bicho aquele!

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Paisagem fluvial



A condição de ser celibatário tem explicação: desde criança não dispensar a boina em parte alguma. Sequer na cama!

Amo-te muito +







                       Sim, tinham afinidades!

                   Daí, acabarem unidos
                   sem nunca algum deles
                   perseguir a ilusão
                   de ser feliz 
                   para além de um minuto
                   em cada ano.

Blow up


                                            
Três pormenores impercetíveis durante o ato do disparo, só revelados após a digitalização de uma série de negativos:
Seis moscas marroquinas distribuídas pela testa e braços do Ali, que nos orientou na Medina de Fez.
Libélula a sobrevoar, que nem um hélio, aquele pedaço de paisagem da Beira Litoral onde nasci.
Derrame menstrual estampado nas calças da Zé, a minha sobrinha, pela ocasião do segundo casamento da tia Olinda.

( texto transcrito de uma folha amarelecida, encontrada no Cais das Colunas, em Lisboa, possivelmente arrancada ao diário de um fotógrafo mesquinho e sem prestígio) 



quarta-feira, 21 de maio de 2014


Bem no fundo, as velhas cuidando de engalanar os santos nos andores para as festividades já próximas, são as  crianças que foram enquanto brincavam às casinhas,  com  as bonecas de trapos. 






Primeiro, foi aquele sopro de ar arrastando para bem longe o guardanapo de papel. Depois, a colisão de um absorto transeunte contra a sua mesa, provocando a queda do copo ainda cheio.  De seguida, a revoada de vento que, por uma unha negra, não lhe arrancou o boné da cabeça.  Podia lá  ter caído em pior sítio! Antes no convés, flagelado pela mais impetuosa tempestade! 
Então, aconchegou  o cachecol e saiu. Não fosse o céu desabar com ele em terra!


segunda-feira, 19 de maio de 2014


Reagia tão mal ao coaxar das rãs como às repetidas badaladas do sino do campanário. Na verdade, dos sons que identificava como próprios da sua aldeia, há muito deixada para trás, apenas o chilrear dos pardais o tocava, trazendo à lembrança os gostosos passarinhos  da sua infância, fritos pela sua avó. 

quarta-feira, 14 de maio de 2014


Enquanto evocava o espírito da primeira mulher, apareceu-lhe um passarinho debicando umas migalhas. Então o comandante perguntou-lhe: " és tu a Isabelinha, ou não? Ao que o passarinho respondeu: " ou não!"

sábado, 10 de maio de 2014

PAR


Ao ver-se impedido de licença de uso e porte de arma, acabou por adquirir duas canadianas!

Ponto Final

A partir do momento em que lhe caiu um dente, deixou de fotografar. É que ele dizia que fotografava com o corpo todo!


sexta-feira, 9 de maio de 2014

Amarras!


Quando os pesadelos o atormentavam, agrilhoava-os no porão!

COPO DE ÁGUA


Para o comandante, pior que uma tempestade no mar alto, só  num copo de água!

SEM NINGUÉM


Sempre que tirava uma foto a uma paisagem sem ninguém, sentia-se a mais!...

DA PESCA


Para o imediato do comandante havia duas coisas que não faziam sentido: ouvir reggae sem uma passa; e passar-se sem reggae!

terça-feira, 6 de maio de 2014

quinta-feira, 1 de maio de 2014

DOIS


O cato de " Conversa e Sabores" volta a resplandecer-se de pequenas flores vermelhas. Exatamente como na passada primavera, há pouco mais de uma semana atrás...

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